Paulo e os gregos EPISÓDIO I 3/4

O primeiro dos 3 grandes filósofos, talvez o mais interessante, autor da frase “Conhece-te a ti mesmo”, Sócrates. Supostamente viveu em 470 AC. Mas porque supostamente? E porque tão importante?

Sócrates era tão filosoficamente interessante, que o romano Cícero disse sobre ele “fez com que a filosofia descesse dos céus para a terra”.

Esse grego se importava com a sociedade antes de ela receber este nome, ele queria que as cidades e os negócios fossem sempre bem administrados, e acreditando que para colhermos bons frutos, devemos plantar boas sementes, dedicou-se a ensinar sobre moral a todos, incluindo os ignorantes.

 

#ATENAS

Sócrates participou de várias batalhas, entre elas a de Délion. E foi sobre esta batalha que Alcibíades relatou a magnífica saída do campo de guerra, de Sócrates e seu companheiro Laques. Vale lembrar que nesta batalha os atenienses foram esmagados pelos tebanos e o exército ateniense bateu em retirada.

“Ele observava calmamente tantos os amigos como os inimigos, e a todos era evidente mesmo de longe, que aquele homem saberia defender-se com bravura se alguém o atacasse. E por isso retiraram-se ele e seu companheiro sem serem molestados. Em geral na guerra não se atacam homens que possuem tal têmpera, mas são perseguidos de preferência, aqueles que fogem precipitadamente.”

Com 56 anos Sócrates casou com Xantipa, que tinha 20 anos, existem vários relatos que ela era uma mulher insuportável, e alguns desses relatos vieram dos seus próprios filhos, porém em um dos textos Sócrates aparece instruindo seu filho a amar a mãe, mesmo ela sendo quem era.

Em 406 AC, as tropas de Atenas lutaram contra os lacedêmonios e os derrotaram, mas devido a uma grande tempestade os corpos dos atenienses mortos não puderam ser devolvidos a Atenas, mas nas batalhas isso era considerado um crime punido com pena de morte para os companheiros que sobreviveram, e os generais foram tidos como os responsáveis sendo levados para o Tribunal. Sócrates era o presidente deste Tribunal, e quando as pessoas queriam com um só julgamento estabelecer a sentença de todos os generais, Sócrates permaneceu inflexível, e fez se cumprir a lei que dizia para cada pessoa ser julgada individualmente, o que levaria muito tempo mas seria o correto.

Dois anos após essa batalha, Atenas passou a ser dirigida pelos Trinta Tiranos de Esparta, que praticaram muitos crimes em nome da ordem e da estabilidade do Estado, mas foi o próprio povo que insurgiu contra a ditadura dos Trinta, e derrubou o poder deles.

E foi aí que começou o princípio do fim de Sócrates. Atenas buscava sair de uma crise  material ideológica, e foi com base no renascentismo político que Sócrates passou a ser um incômodo. A presença do intelectual que rejeitava as tradições, e que afirmava possuir um Deus interno, que ironiza as crenças em outros deuses e lutava por uma autêntica renovação das bases morais, era indesejável. E em 399 AC uma queixa grave foi levada ao arconte-rei:

“Sócrates é culpado de corromper a juventude e de induzi-los novo deus, não reconhecendo como os pais os deuses da cidade”, a pena para o crime: Morte.

Mas inacreditavelmente Sócrates não tentou ser absolvido, bastava ele negar o seu suposto Deus, mas ele não o fez. Na verdade se comportou com indiferença, e isso aumentou a indignação dos jurados.

Foi preso por 3 meses à espera da execução. E durante este tempo se recusou a fugir da prisão, como articulavam seus amigos que subornaram os guardas.

Dizem os relatos que na véspera da sua morte ele dormiu calma e profundamente. Sua condenação foi morte por cicuta, um veneno poderoso, que tomou calmamente perante seus amigos.

Interessante mesmo é que esse nosso grego era monoteísta ou seja, acreditava em um único Deus, nas palavras do próprio Sócrates “Ele(deus) vê ao mesmo tempo todas as coisas, ouve tudo, está presente em toda parte, e vela sobre tudo ao mesmo tempo.”, isso enquanto a sua volta se desenvolvia uma forte sociedade politeísta que considerava crime crer e difundir a crença em outros deuses.

Sócrates via seu trabalho (do magistério) como uma missão passada pelo seu Deus. Mas quem era seu Deus? Com certeza não era o Zeus Capitolino, possuidor do mesmo comportamento humano de vícios e paixões. O Deus de Sócrates era uma fonte única de inteligência e providência universal, algo presente no mundo e em nós, um Deus que nos lembra muito Deus do cristianismo de Paulo.

Mas hoje falaremos de outro homem, que supostamente creu no mesmo Deus, porém viveu antes do cristianismo, e pelas contas em 600 AC, antes do próprio Sócrates. Ele era Daniel.

 

# BABILÔNIA

 

Em 605 AC a Babilônia conquistou Jerusalém e levou muitos dos jovens, como Daniel, para o exílio no império de Nabucodonosor. Lá Daniel foi instruído nos costumes babilônicos junto com seus amigos exilados, mas diferente de muitos deles ele se manteve fiel às tradições de seu povo, e de maneira apaixonada Daniel lembrava-se de sua casa e do templo de Jerusalém, quase 70 anos após ser levado de lá.

De Daniel vem as visões do futuro de Nabucodonosor e do rei Dario, famosos conhecidos dos livros de história. Daniel previu Alexandre o Grande, e o próprio Cristo. Talvez você lembre de Daniel na cova dos leões.

Sem dúvida um personagem de muitas histórias. Mas o que existe em comum entre ele e Sócrates?

Ambos acreditavam em um único Deus em tempos e locais onde não era permitido tal crença. Ambos eram sábios, Nabucodonosor considerava tanto a sabedoria de Daniel que o elegeu presidente dos presidentes em seu reinado. Ambos eram irredutíveis quanto ao que acreditavam.

Os presidentes de Nabucodonosor não gostavam da filosofia de Daniel que era íntegro, e assim como aconteceu com Sócrates, eles levaram até Nabucodonosor uma acusação de que Daniel não cumprira a lei de adorar o rei como deus, e não houve alternativa, por mais que Nabucodonosor estimasse Daniel, ele teve de cumprir a sentença: Morte na fornalha de fogo.

Daniel também foi condenado por crer em um único Deus que não fazia parte do panteão de deuses da sociedade da época, e a intolerância das pessoas levaria mais um homem a morte.

Assim como ocorreu com Sócrates, os relatos dizem que o judeu Daniel permaneceu calmo por todo seu percurso até a sentença, e ousadamente disse: “Se nosso Deus quer livrar-nos, ele nos livrará.”, e similar ao que ocorreu com Sócrates em seu julgamento, o jurado de Daniel também irou-se, e pediu que aumentassem em sete vezes o fogo da fornalha.

E vejamos, ele não foi jogado, teve de entrar andando com seus próprios pés. Imagine um condenado andando para dentro de sua sentença de morte calmamente, esse era Daniel.

E sim, Aquele Deus o livrou. “Então o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa”, o texto continua dizendo que ao sair sem nenhum dano de dentro da fornalha de fogo, o rei admirou-se a ponto de estipular que a partir dali qualquer um que blasfemasse contra o Deus de Daniel, este seria o condenado à morte.

 

#BRASIL

 

Alguns filósofos bem conceituados, e um deles é o brasileiro Clóvis de Barros, tendem a citar Sócrates como um personagem fictício criado por Platão em “A República”, sendo um homem que na vida real não existiu. Teria mesmo Platão criado o estereótipo de Sócrates? E teria ele tido contato com os registros do judeu Daniel? Bom isso é algo a pensar.

Essa é a história de dois homens sábios, que viveram em épocas, locais e culturas absolutamente diferentes, e que dedicaram suas vidas a crença de um Deus, que aparentemente era o mesmo, e que (talvez) continua sendo!

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