O átomo está meio cheio ou meio vazio? Qual verdade é mais importante?

 

Aprendemos desde cedo a crer em determinadas verdades, a aceitar aquilo que os anciãos da nossa tribo nos ensinam, sejam eles pais, professores, chefes ou líderes religiosos. E com o tempo aquilo que ouvimos e aprendemos se tornam cada vez mais sólido, e assim criamos uma própria realidade, a nossa realidade. E quando cremos em algo, muitas vezes nos tornamos céticos a todo o resto, e tudo que está a nossa volta se torna inexistente se não for explicado por nossa crença, seja ela religiosa ou científica.

 

Hoje viemos aqui para falar de duas grandes verdades, o conceito do cheio e o do vazio. Pense em um copo completamente cheio de água, e se veja bebendo exatamente a metade dessa água, o que resta no copo? O quão verdadeiramente vazio ou cheio está o copo agora? Meio cheio ou meio vazio? Já que vivemos no mundo material poderíamos dizer que está meio cheio de matéria. Será? Pense em todas as coisas que sabe, em tudo que aprendeu, ouviu, leu, absolutamente tudo o que entende como verdade. Agora pense em todas as pessoas que já discordaram de você na sua vida. Isso é bastante gente mesmo não é?! E agora, qual a verdade está mais certa a sua ou a do seu vizinho que contradiz?

E se falarmos de uma nova possibilidade, onde ambos estejam igualmente corretos? Para isso vamos desconstruir o cheio e o vazio, precisaremos combater o implacável ceticismo da crença ou talvez a desumana crença no ceticismo, mas sem preocupações, pois garantirmos que manteremos a solidez da sua fé e a robustez de toda a ciência.

Já dizia Lavoisier “há muito mais entre o céu e a terra do que julga a nossa vã filosofia”.

 

# O que há no cheio?

Na escola moderna aprendemos que a matéria é feita de átomos, e que átomos possuem partículas. Mas o que exatamente é uma partícula?

Na antiga Grécia, os filósofos diziam que tudo era criado a partir de 4 elementos: fogo, terra, água e ar. Para eles, estas eram as partículas conhecidas ou seja, a menor parte de uma matéria.

Na química dizemos que a partícula mantém as propriedades químicas de um corpo, e assim átomos e moléculas seriam partículas também. Considerando que tudo no universo (pedras, árvores, terra, água e onde a imaginação alcançar) provém da mistura e interação de poucos elementos, os nossos filósofos gregos não estariam tão errados assim.

Essa ideia do átomo surgiu em 1803 com o químico inglês John Dalton, no entanto Demócrito (grego pra variar) em 400 A.C. já dizia que tudo que existe seria construído por infinitos átomos de diversas formas rodopiando caoticamente por aí e se colidindo ao acaso, e assim se unindo com outros átomos e formando estruturas maiores, gerando o nosso universo. Dá pra acreditar? São quase 2200 anos esperando para reinventar a ideia do átomo e descobrir que ele estava certo!

Mas Dalton acreditava ser o átomo a menor partícula, tanto que a palavra átomo em grego quer dizer ‘não divisível’ (a = não; tomo = parte).

Mas, e sempre tem um mas, hoje sabemos que um átomo é feito de alguns prótons, alguns elétrons e um núcleo com nêutrons.

A ideia desse tal de elétron só surgiu em 1897 com J. J. Thomson. Como ele mesmo disse o átomo seria composto por um ‘caroço duro’ positivo e os tais elétrons estariam cravejados nesse ‘caroço’ e poderiam ser puxados dele se algo fosse aplicado, como por exemplo um potencial elétrico.

Considerando elétrons como negativos e prótons como positivos, os átomos são neutros de forma geral, isso porque a quantidade de elétrons (-) é praticamente igual a de prótons (+).

Durante uma experiência de radioatividade em 1932 James Chadwick encontrou  uma partícula no átomo, e o nome em si já dá uma pista da sua falta de carga elétrica que torna essa partícula neutra. O nêutron está no núcleo do átomo junto com os prótons (que possuem carga positiva) e os nêutrons possuem valores de massa próximos aos da massa de prótons.

Quando o número de nêutrons é igual ao de prótons temos núcleos leves, já os núcleos pesados possuem o número de nêutrons 2 vezes maior que o de prótons. Átomos pesados são os responsáveis pelas explosões nucleares no interior das estrelas.

O mais curioso de tudo em um átomo é que o tamanho do núcleo é 10 -13 cm, e os elétrons passeiam livremente em suas órbitas a uma distância de 10 -8 cm ao redor do núcleo. Isso quer dizer que o raio do núcleo é 100.000 vezes menor que o raio do átomo inteiro. O espaço entre o núcleo e o raio dos eletros está basicamente vazio, claro que os elétrons volta e meia passeiam por aí, mas tirando a voltinha de um elétron cambaleante, o restante do espaço é vazio. Sabe aquela pedra dura que você tropeçou essa semana? Boa parte do espaço dentro dos átomos dela é composto de VAZIO. E a água? Sim, também tem vazio nos átomos dela. Fogo? Terra? Seres humanos? Ar? Planetas? Estrelas? Sim, dentro dos átomos de todas as coisas existe um espaço vazio. Louco né?! Em toda a matéria existe um espaço onde não há materia alguma!

 

#O vazio do universo

Mas vamos um pouco mais além. Sabe o espaço entre os planetas, estrelas e galáxias no universo? Aquele espaço que chamamos de vácuo? Ah, lá sim tem bastante vazio! Errado. Apesar de aprenderemos que o universo é uma coleção de vazios em formatos de bolhas, e separados por galáxias, esse espaço todo no universo não está vazio.

É certo que as galáxias são com uma rede retorcida com grandes espaços entre seus braços e filamentos, mas estes espaços estão cheios e não vazios. Cheios de átomos e de partículas menores. O universo é cheio de hidrogênio, que é o menor átomo (1 elétron girando ao redor de 1 núcleo com 1 próton), e os cientistas conseguem visualizá-lo com equipamentos para medição do calor, isso mesmo, porque um fóton ao atravessar um atomo de hidrogenio exita o elétron e libera calor. Mas o hidrogênio não está em toda parte no universo, e existem locais onde os equipamentos que nós reles humanos utilizamos para medição, identificam uma zona fria, sem calor, e neste caso entra em funcionamento os fótons. As Tvs,  rádios, celulare, raios X, a força do ímã preso na sua geladeira, a luz do sol que você vê, tudo isso é composto por fótons, é a 2º força mais poderosa do universo, a eletromagnética. Os fótons [e partículas de matéria] viajam livremente através do espaço como uma onda”, embora eles possam ser contados como se fossem bolas, diz Greg Gbur, escritor de ciência e físico da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte.

E tem os bósons também, lembra da tal “partícula de Deus”, também é peça fundamental para a composição do universo. Sem ela, as partículas de matéria como os quarks e elétrons não teriam massa. Sem massa, as partículas não formariam átomos.

Além dos fótons e bósons que levaram bastante fama nas últimas décadas, existem muitas outras partículas e ondas andando por aí. Até os neutrinos que são gerados nos núcleos dos átomos vagam soltinhos pelo universo. Em 1 segundo, mais de 120 bilhões de partículas minúsculas e quase sem massa terão atravessado seus olhos a uma velocidade próxima a 300 mil km/s.

Mas voltando a falar do primo mais famoso, o fóton, você sabia que quando toca em algo não está literalmente tocando? Pense nisso quando for abraçar sua mãe ou apertar a mão do seu chefe, você não está os tocando. Vocês estão trocando fótons. O que entendemos como toque é nada mais que a repulsão eletromagnética entre uma pele e outra. Uma repulsão que acontece por causa dos fótons que você troca com outras pessoas ou objetos quando se aproximam.

Poisé, mais uma loucura, não acha? Tudo que sempre nos ensinaram ser vazio no universo fora de nosso planeta, está completamente cheio de ondas e partículas. Em todo o universo onde não há matéria visível, prospera o subatômico. Tudo o que achamos estar vazio, infalivelmente está cheio!

 

#O que é a verdade?

Sabe o que essa dança das partículas dentro e fora dos átomos quer dizer?

Que tudo que achamos saber é diferente do que realmente é, mesmo quando achamos indubitavelmente que estamos certos e dominamos toda a verdade, vem a descoberta de uma nova partícula que diz que o que sabemos é nada mais do que a orla do conhecimento, e que ainda existe muito a desbravar.

Como diz Mario Sergio Cortella, a verdade depende do julgamento. O copo está meio cheio ou meio vazio? Depende! Se levarmos aos conceitos subatômicos tudo é cheio ao mesmo tempo em que é vazio. Louco né!?

Onde há matéria existe o vazio, onde parece estar cheio não está, e onde parece estar vazio está abarrotado de partículas.

A cada segundo da sua respiração, pessoas em diferentes locais do mundo discutem de forma desordenada e colericamente, motivados por suas próprias verdades, condenando seus vizinhos e irmãos a rejeição por simplesmente acharem que o copo está mais vazio do que cheio ou mais cheio do que vazio.

A ciência não diz que a religião está errada por possuir seguidores fiéis a únicas verdades, a ciência apenas diz que nem tudo é exatamente como parece ser como visto acima, e que devemos avaliar muito bem nossos conceitos para definirmos no que acreditamos quando hostilizamos aquilo no que nosso próximo cre. Se tudo é formado a partir de um Criador, Ele foi muito sábio ao deixar todos estes indícios de sua grandeza em todo o universo, não apenas em livros e histórias do passado. Parafraseando vários trechos dos textos judaicos e cristãos: Aquele que tiver olhos para ver, veja. Eu te convido agora a abrir seus olhos, e ver a magnificência e a beleza que vejo no vazio do cheio e na prosperidade do vazio. Eu te convido agora, para ver que a verdade é muito, mas muito mesmo, muito maior do que seus olhos podem ver!

 

Veja!

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